ATÉ AMANHECER

Ontem fechei meus olhos
e ainda via as letras,
a tag vinha formada na minha cabeça.
Levantei rapidão,
peguei a caneta,
colorida de preferência,
fui riscando o papel, o guarda-roupa
e as bordas da prateleira.
A coroa pira,
mas admira,
senta do meu lado e respira,
fica me vendo esboçar cada letra,
e até comenta: - Diferente!
E eu rindo, respondo:
- Imagina a mente de quem decidiu modificar o alfabeto,
pô o cara tem que ser muito esperto!
Rompendo com a estética,
embora julguem como crime,
a vida dos dedo sujo nunca foi vitrine,
no pixo o papo é reto,
não é letra comum do alfabeto.
É algo criado, é projeto,
desenvolve a mente,
fazendo você gastar muitas folhas do caderno.
Ouvindo Wu-Tang Clan, com a caneta hiberno.
Insônia produz, arte me seduz,
percepção voa na madruga e me conduz,
eu gosto do alfabeto, e não consigo desapegar.
A caneta me faz flutuar.
Vamos fechar
eu e você, fazer tag sem parar?
eu te lanço o spray,
você me lança a ideia,
e mais uma vez,
formamos um clã sem platéia.

(Como diria o Shawlin: Eu mermo).




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